Raízes e Ramos da Igreja no Brasil: Os Oitenta Anos das Missões Brasileiras

    Raízes e Ramos da Igreja no Brasil: Os Oitenta Anos das Missões Brasileiras

    No dia 3 de setembro de 1925, o Presidente Heber J. Grant anunciou que a Igreja iniciaria a obra missionária na América do Sul. Seguindo o padrão do Senhor de levar o evangelho restaurado às nações, o Élder Melvin J. Ballard, do Quórum do Doze Apóstolos, foi enviado à América do Sul para dedicar a terra à pregação do evangelho.

    Na manhã do Natal de 1925, na Argentina, o Élder Ballard dedicou os países sul-americanos e iniciou a obra missionária. Antes de partir de lá, em julho seguinte, ele profetizou: “A obra do Senhor crescerá devagar por algum tempo aqui, assim como o carvalho cresce lentamente a partir de um bulbo; ela não se desenvolverá em um dia, como acontece com o girassol que cresce rápido e depois morre. Porém, milhares entrarão para a Igreja aqui. A obra se dividirá em mais de uma missão e será uma das mais fortes da Igreja”. (À esquerda, Élder Ballard no centro da foto, durante a cerimônia da dedicação).
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    Enquanto isso, no Brasil, o povo desconhecia a existência do evangelho restaurado. O casal Max e Amalie Zapf, batizado na Igreja na Alemanha, havia imigrado para o Brasil com seus dois filhos em 1913, contudo sentiam-se solitários sem o contato com a Igreja ou com os membros. Depois de dez anos no Brasil, em 1923, os Zapf souberam da existência de outra família fiel da Igreja que havia emigrado da Alemanha para o Sul do Brasil, no Estado de Santa Catarina; era a família de Auguste Lippelt com seus quatro filhos e seu marido não membro. Desde que chegara, a irmã Auguste Lippelt mantinha contato com os líderes da Igreja na Alemanha, e havia escrito para a sede da Igreja em Salt Lake solicitando missionários para divulgarem o evangelho aqui no Brasil a fim de que pudessem manter acesa a luz do evangelho em sua vida. Logo os Zapf se uniram aos Lippelt.

    Na conferência de abril de 1926, o Élder Karl Bruno Reinold Stöof foi ordenado segundo presidente da Missão Sul-Americana e foi o responsável pelo início do trabalho missionário no Brasil. Desde que chegou, investigou as possibilidades de implantar a Igreja entre os imigrantes de língua alemã no Brasil. Em dezembro de 1927, visitou várias cidades como São Paulo, Joinville e Porto Alegre, mas viu em Joinville o local propício para implantar a missão em solo brasileiro. Visitou também, em Santa Catarina, a família Lippelt que ele já conhecia da Alemanha e prometeu enviar missionários em breve.

    Ao iniciar o proselitismo em terras brasileiras, foi criado o Distrito Brasil em setembro de 1928, com sede na Cidade de Joinville, e que abrangia todo o país. A princípio, a pregação era feita em alemão entre os imigrantes germânicos e seus descendentes. Sob a liderança do Presidente Karl Bruno Reinhold Stöof, os missionários chamados para trabalhar na cidade foram os Élderes Emil Anton Josef Schindler e William F. Heinz.

    Após a chegada dos missionários, no ano de 1928, deu-se início ao trabalho de forma consistente. Em 1930, ocorreu a chegada dos primeiros missionários a Ipomeia, Santa Catarina, onde o trabalho já existente pôde se desenvolver mais rapidamente.

    O Élder Schindler serviu valorosamente como missionário no Brasil entre os anos de 1927 a 1930 e depois retornou para cumprir um novo chamado, servindo de 1932 a 1935. Podemos dizer que ele contribuiu grandemente para a criação da Missão Brasileira. Separando-se da Missão Sul-Americana, com sede em Buenos Aires, em 25 de maio de 1935, a Missão Brasileira iniciou oficialmente suas atividades, tendo como Presidente Rulon S. Howells. A primeira conferência da missão no Brasil foi realizada em língua alemã, no dia 26 de maio de 1935, na Cidade de Joinville. O número de membros presentes na época foi: 4 sacerdotes, 4 mestres, 7 diáconos, 29 homens, 64 mulheres, 18 meninos e 17 meninas, todos de origem alemã. Reunidos com os 143 membros, estiveram todos os missionários do Brasil, Presidente Rulon S. Howells, Élderes Emil A. J. Schindler, Paul Stoll, Melvin C. Cannon, Reed E. Bayles, Phillip G. Petterson, David H. Smith, J. H. Henry Huner e Merlin Palmer.

    Em 1935, esses 143 membros pertenciam a uma única missão, a Missão Brasileira, recém formada com os Distritos de Joinville, Porto Alegre, Rio Preto (Ipomeia) e São Paulo, onde, por decisão do Presidente Howells e aprovação da Primeira Presidência, seria a sede da Missão Brasileira. Hoje, após 80 anos do início da Missão Brasileira, temos aproximadamente 1.300.000 membros, num total de 34 missões, 292 estacas/ distritos e 1.997 unidades, entre alas e ramos. Podemos com certeza dizer que a profecia do Élder Ballard já se cumpriu. (À direita, família pioneiras: Zapf, Lippelt, Blind, Bauer, Haack e Kirsten, na década de 1930)
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    Enaltecemos e honramos os fiéis santos pioneiros que trabalharam arduamente, bem como os missionários e os presidentes de missão que fizeram um bom trabalho. Apesar dos meios precários da época e das condições rudimentares dos locais, conseguiram levar a verdade do evangelho ao povo que realmente necessitava dela.

    “As obras e os desígnios e os propósitos de Deus não podem ser frustrados nem podem se dissipar. Porque Deus não anda por veredas tortuosas (...) nem se desvia daquilo que disse; portanto suas veredas são retas e seu caminho é um círculo eterno. Lembra-te, (...) de que não é a obra de Deus que se frustra, mas a obra dos homens” (D&C 3:1–3).

    Todos nós somos necessários para continuar essa obra iniciada por aqueles santos pioneiros há 80 anos e executada pelos santos fiéis, pelos missionários e pelos presidentes da Missão Brasileira ao longo das décadas de cada geração. Precisamos honrar esse legado, crendo, trabalhando, servindo e vencendo todos os desafios assim como nossos antepassados venceram. Talvez os desafios não sejam os mesmos, mas temos que manter a mesma marca registrada das gerações passadas, que era a de devoção constante e fé a cada passo, para que ergamos mais templos em louvor ao Senhor e continuemos contribuindo para o engrandecimento do reino de Deus na Terra. E que resgatemos de nossas lembranças as experiências sagradas que nos unem aos nossos antepassados pioneiros e as mantenhamos registradas para que as gerações futuras possam desfrutar delas.


    Departamento de História da Igreja da Área Brasil


    Élder Celso e Cristina Sanches

    historiadaigreja@LDSchurch.org