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Chamados a Servir
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  Élder Mervyn B. Arnold - Presidente da Área Brasil Sul (Outubro/2006)  
 

Élder Mervyn B. Arnold

Noutro dia, eu meditava e ponderava sobre minha missão e os membros novos que se filiaram à Igreja naquela época — isso foi há muitos anos — e o efeito que eles tão profundamente exerceram em minha vida. Essa história toda começou muitos anos antes de eu completar dezenove anos. Tal como Néfi, na antigüidade, nasci de pais bondosos. Cresci juntamente com duas irmãs e quatro irmãos em uma casa pequena, com dois quartos para dormir e um banheiro. Tínhamos uma pequena fazenda, onde havia 1.000 galinhas, uma vaca e um cavalo. Para juntar o dinheiro necessário para pagar minha missão, tive de lavar 300 ovos por dia. Ainda hoje, não gosto de ovos, mas consegui pagar todo o custo da minha missão.

Embora não fôssemos ricos, sob o ponto de vista do mundo, tínhamos o suficiente para nos alimentar e nos vestir. Sabíamos que éramos amados, fomos ensinados quanto ao valor do trabalho árduo e o valor de aprendermos o evangelho.

A preparação para a missão começou muito cedo. Todas as manhãs e todas as noites, nós nos ajoelhávamos em oração. Desde muito pequeno, lembro que todas as vezes que meus pais faziam a oração familiar, eles pediam ao Pai Celestial que abençoasse os missionários, para que fossem guiados às pessoas honestas de coração, e abençoasse a nós, seus filhos, com o desejo de levar uma vida digna, para um dia servir em uma missão. O desejo de permanecer digno e de ir para a missão ficou incrustado em nosso coração.

Meu pai fez missão no Arizona e no México, e minha mãe, no Missouri, em 1931. Ao lermos as escrituras juntos, meus pais contavam-nos suas experiências missionárias e como usavam as escrituras para ensinar o evangelho, e como as escrituras os ajudavam a lidar com os desafios do dia-a-dia, durante a missão e depois dela. Eles se asseguravam de que nos matriculássemos no seminário e no instituto e de que cumpríssemos nossas designações de tarefas por escrito e de leitura.

Meus professores da Primária e da Escola Dominical nos ensinaram lições maravilhosas. A partir dos doze anos de idade, o bispo começou a conversar comigo e ajudar a esclarecer minhas dúvidas. Jamais passou pela mente do meu bispo a menor dúvida sobre se eu serviria ou não em uma missão; sua única preocupação era assegurar-se de que ele, meus pais, e os líderes do sacerdócio, consultores e professores haviam-me preparado para que eu servisse. À medida que eu crescia, o papel desempenhado por meus consultores e professores do seminário era essencial para que eu ficasse com os olhos voltados para a meta de servir em uma missão. Quando chegou a época certa, oito dos nove rapazes que cresceram comigo — eu inclusive — serviram em uma missão. Grande parte do mérito pertence aos nossos bispos e líderes do sacerdócio.

O tempo mais feliz de minha vida, quando solteiro, foi quando servi como missionário de tempo integral. Meu progresso espiritual e mental foi maior do que em qualquer outro tempo. Nunca esquecerei as famílias tão boas que o Senhor me ajudou a encontrar e a quem tive a oportunidade de ensinar e batizar. Uma delas foi a família Ibarra. Os membros dessa família tinham dúvidas e, certo dia, orei fervorosamente numa montanha próxima, para que o Senhor os abençoasse com um forte testemunho do evangelho. No dia seguinte, eles aceitaram o batismo. Depois do batismo, a irmã Ibarra me contou que sonhara ter-me visto orando em uma montanha, e que ouvira cada palavra que eu proferira. Ela me repetiu cada palavra daquela oração.

Os membros novos, são muito preciosos. Os membros mais antigos fizeram com a família Ibarra exatamente aquilo que o Presidente Hinckley pediu que os membros fizessem. Esses membros recémconversos sentiram-se envoltos em amizade, receberam responsabilidades e foram nutridos pela boa palavra do Senhor. Sou grato pelos recém-conversos que sempre trazem consigo ânimo e desejo de fazer todo o possível para seguir os padrões da Igreja. Sejam muito bem-vindos! Como membros mais antigos, vamos recebê-los de braços abertos. Ainda hoje, tenho amizade com muitos conversos do tempo da minha missão, nos anos de 1967 a 1969.

O Élder Richard G. Scott declarou: “Tudo o que tenho de mais precioso em minha vida hoje começou durante minha experiência sagrada como missionário de tempo integral” (“Por Que Todo Membro É um Missionário?”, A Liahona, janeiro de 1998, p. 39). Isso é o que sinto também.

Na Área Brasil Sul, nos últimos três anos, o número de missionários de tempo integral tem sido pequeno, se comparado aos milhares de jovens que poderiam servir. Está na hora de mudar isso. Temos capacidade para “exportar” missionários para outros países, considerando a quantidade de homens brasileiros com idade para servir.

As últimas palavras proferidas pelo Senhor aos Seus discípulos, antes de Sua ascensão foi: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mateus 28:19–20).

Para melhor cumprir esse encargo que nos foi dado pelo Salvador, de irmos a todo o mundo, o Presidente Hinckley pediu mais missionários. Ele disse: “Precisamos de mais missionários. Poderíamos usar mais dez mil agora. Qualquer um que ache que já temos o bastante não sabe o que diz” (“O Campo Já Está Branco, Pronto para a Ceifa”, Tambuli, abril de 1987, p. 2).

O Presidente Boyd K. Packer, Presidente Interino do Quórum dos Doze Apóstolos, advertiu-nos que “a segurança da Igreja, nas próximas gerações, repousa em nosso sucesso ao chamarmos missionários. Se nos preocupamos com o futuro desta obra, não descansaremos até que todo jovem física e mentalmente capaz se torne digno e deseje receber um chamado para servir em uma missão” (Ensign, março de 1985, p. 10; grifo do autor).

O que significa ser física e mentalmente capaz? A Primeira Presidência e o Quórum dos Doze declararam: “O trabalho missionário é extremamente árduo, não sendo adequado para pessoas cujas limitações físicas ou deficiências mentais ou emocionais as impeçam de servir eficazmente. (…) Os bispos e presidentes de estaca têm a séria responsabilidade de identificar membros dignos e qualificados, que estejam espiritual, física e emocionalmente preparados para esse trabalho sagrado e que possam ser recomendados sem restrições. Os indivíduos que não forem capazes de atender às exigências físicas, mentais e emocionais do trabalho missionário de tempo integral estão honrosamente desobrigados de cumpri-lo e não devem ser recomendados. Eles podem ser chamados para servir em outros cargos significativos” (Declaração sobre o Trabalho Missionário, 11 de dezembro de 2002).

Minha preocupação é de que talvez não estejamos dando ouvidos à segunda parte da advertência do Presidente Packer, na qual ele diz: “não descansaremos até que todo jovem física e mentalmente capaz se torne digno e deseje receber um chamado para servir em uma missão”. Ele não diz para esperar até terminar a faculdade; não diz para esperar em nenhuma circunstância. Não diz que as irmãs não podem servir em uma missão. Os homens devem servir, desde que estejam espiritual, física e emocionalmente preparados; as irmãs são convidadas a servir.

Embora seja verdade que alguns poucos estão dispensados, como mencionado na carta da Primeira Presidência e do Quórum dos Doze, e que devam ser “chamados para servir em outros cargos significativos”, existem muitos “rapazes física e mentalmente capazes” que podem “[tornar-se dignos]” com um pouco mais de empenho de nossa parte.

O Presidente Hinckley nos aconselha a “direcionarmos nossos rapazes para o serviço missionário mais cedo e a prepará-los melhor” (“O Campo Já Está Branco, Pronto para a Ceifa”, Tambuli, abril de 1987, p. 2).

Sou extremamente grato por aqueles líderes que me ajudaram a tomar a decisão mais importante de minha vida, só perdendo em importância à de casar-me com minha companheira eterna.

Não apenas o Senhor me abençoou com um crescimento espiritual imensurável, como também recebi outras bênçãos incontáveis. Os dois anos que passei na missão ensinaram-me muito mais a respeito da vida, dos negócios e das pessoas, do que os seis anos de faculdade.

Qualquer rapaz que atende aos requisitos estabelecidos pela Primeira Presidência e pelos Doze mas que sente não ter tempo para servir em uma missão é como uma das cinco virgens tolas, que “toscanejaram (…) e adormeceram (…) e não levaram azeite consigo”. A missão requer que cada um coloque azeite eterno na lâmpada da vida.

O que nós, como líderes do sacerdócio nesta área, podemos fazer para reverter imediatamente essa tendência descendente e elevar o número de jovens a serem chamados? O Presidente Hinckley declarou que se quisermos elevar substancialmente o número de missionários, precisamos iniciar o processo de preparação cedo. (1) preparação espiritual; (2) preparação mental; (3) preparação social; (4) preparação financeira.

Preparação Espiritual
A preparação espiritual de um missionário será fortalecida com a realização de noites familiares melhores, com um melhor ensino no Sacerdócio Aarônico e nas organizações auxiliares, com a freqüência ao seminário e instituto, com a ida ao templo para realizar batismos pelos mortos, com o incentivo para ler o Livro de Mórmon. Todo menino ou rapaz se beneficiaria com a leitura do relato dos filhos de Mosias. Quanto a eles, o registro declara: “Ora, esses filhos de Mosias (…) haviam-se fortalecido no conhecimento da verdade; porque eram homens de grande entendimento e haviam examinado diligentemente as escrituras para conhecerem a palavra de Deus. Isto, porém, não é tudo; haviam-se devotado a muita oração e jejum; por isso tinham o espírito de profecia e o espírito de revelação; e quando ensinavam, faziam-no com poder e autoridade de Deus” (Alma 17:2–3).

Preparação Mental
Os bispados precisam ser diligentes e agir em espírito de oração ao realizar as entrevistas com os rapazes, desde a época em que se tornam diáconos. Que os bispados os incentivem com vigor, para que o coração deles se volte para o serviço missionário. Que esses rapazes moldem sua mente e pensamentos para enfrentar os rigores do serviço missionário, para fazer os ajustes culturais necessários exigidos na obra missionária de muitos países e para dedicar-se com entusiasmo ao serviço missionário, quando forem chamados. Qualquer bispo ou membro do bispado que não realize entrevistas regulares com os jovens, conforme delineadas no Manual de Instruções da Igreja, deve começar a fazê-las imediatamente. Se forem realizadas conforme instruídas pelo Presidente Hinckley, tais entrevistas serão um elo decisivo em seu sucesso na preparação de rapazes para servirem em missões. Obviamente, os pais devem reforçar tudo isso, com conselhos sábios e inspirados que tenham por base os mesmos princípios.

Preparação Social
Devemos ensinar nossos jovens, aconselhando-os com amor, sobre a importância de se manterem limpos e dignos para representarem o Senhor e serem Seus embaixadores perante o mundo. Devemos incentivar atividades sociais saudáveis e permitir que nossos jovens aprendam a grande arte de cooperar uns com os outros. Enquanto estiverem no campo missionário, eles terão companheiros com quem terão, obrigatoriamente, de trabalhar. Eles precisam ser capazes de buscar o que há de bom nesses companheiros e extrair, da vida de outras pessoas, virtudes que possam incorporar à própria vida.

Preparação Financeira
“A missão passou a ter custos elevados (…). A hora para começar a economizar é quando os meninos ainda são bem pequenos.” (“O Campo Já Está Branco, Pronto para a Ceifa”, Tambuli, abril de 1987, p. 2).
Recentemente, em uma reunião com a presidência de um distrito e com o presidente da missão, fiquei impressionado com o que vi no quadro de avisos no escritório do presidente do distrito. Na parte superior do quadro havia fotos de vários “futuros” missionários com quem estavam trabalhando arduamente para prepará-los para a missão. Na parte inferior se achavam fotos de todos os que estavam servindo naquele momento. Esse Bom Pastor obviamente “ama e conta suas ovelhas e elas conhecem-no”.
Os pais e os líderes do sacerdócio em todos os níveis precisam ter uma visão renovada de sua responsabilidade. Meu desafio a cada bispo e cada presidente de ramo é o de trabalharem lado a lado com os conselhos de ala e ramo para, imediatamente, “contar” cada uma das ovelhas (ativas e menos ativas), que poderiam e deveriam estar servindo em uma missão, e trabalhar com elas e prepará-las para esse trabalho tão importante. Alguns jovens já estão prontos, alguns precisarão de vários meses, outros de um ano ou dois e alguns, ainda, precisarão de outras designações; contudo, nos próximos meses e anos, muitos mais poderão e deverão ser chamados. Uma lista contendo o nome daqueles que se encaixam nessa categoria está facilmente à disposição em cada ala ou ramo.

Quero concluir com a mesma declaração feita pelo Presidente Boyd K. Packer que mencionei no início: “A segurança da Igreja, nas próximas gerações, repousa em nosso sucesso ao chamarmos missionários. Se nos preocupamos com o futuro dessa obra, não descansaremos até que todo jovem física e mentalmente capaz se torne digno e deseje receber um chamado para servir em uma missão” (Ensign, março de 1985, p. 10). Eu sei que o período em que uma pessoa serve como missionário de tempo integral mudará sua vida eternamente. Que tenhamos coragem para fazer o que o Senhor nos pediu, é minha oração. Sei que vamos ser muito abençoados por nosso serviço.

 
   
 
 
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